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NO WEBSITE DA PRIMEIRA IGREJA DE CRISTO, CIENTISTA DE PORTO ALEGRE Dentro das comemorações dos 50 anos do lançamento da pedra fundamental da igreja 1957-2007 [ Direitos autorais cedidos pelo Autor ORLANDO TRENTINI ] Volta a página inicial |
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![]() Os pioneiros no RS, o casal Schmidt - união dedicada à causa da cura cristã no Brasil. Histórico dos primórdios da Ciência Cristã no sul Brasil (Christliche Wissenschaft) em alemão (Christian Science) nome original , em inglês, dado pela fundadora a norte-americana Mary Baker Eddy ao movimento religioso global que ela fundou, em 1866, em Boston, MA, EUA. Escrito por Orlando Trentini, em dezembro
de 2006, em Rio Vista, California, EUA
Capítulo I INTRODUÇÃO Os fatos que relato a seguir, me foram contados por
Otto Albert Schmidt e por Helene Marie Von Schramm Schmidt. Estou
escrevendo conforme relembro, nesta data de dezembro de 2006. Há um tempo atrás, já havia esboçado partes deste histórico e minha esposa, Adélia, confirmou que têm umas 20 páginas impressas, em meu gabinete, na fazenda Fonte de Luz.
O casal Schmidt é parte de minha
vida, desde que eu tinha um ano de idade, até o falecimento
da Frau Schmidt em 1955 e até o Sr. Schmidt voltar para a
Alemanha. Não sei a data de seu falecimento.
Mas sei que o trabalho destes pioneiros com um amor
abnegado pelo povo do Brasil que não tem igual na
história dos primórdios da Ciência
Cristã. Este casal, com seu trabalho dedicado,
nunca mediu sacrifícios pessoais para estar ao lado daqueles que
os procuravam em busca de ajuda espiritual. Como resultado deste
doar-se a si mesmos a favor do todo, o grão de cereal que
desprezou os seus interesses e se doou integralmente ao bem de
indivíduos e de famílias, surgiram a Primeira
Igreja, Porto Alegre, a Sociedade Novo Hamburgo, a Primeira
Igreja de Santa Maria, a Sociedade Ijuí, enfim todas as filiais
no Rio Grande do Sul e a Sociedade de Karlsruhe, Alemanha.
São duas igrejas e três Sociedades no Brasil e na
Alemanha, no Hemisfério Sul e no Hemisfério Norte.
É verdade que nenhuma dessas filiais
foi fruto só do trabalho dos Schmidt, em cada uma delas um grupo
de pessoas, seguiu o exemplo deles no trabalho de cura, e de realizar
cultos para abençoar as suas comunidades.
Capítulo II
UMA
SAÍDA CONTURBADA DE UMA ALEMANHA EM EBULIÇÃO
SAÍDA DE DRESDEN, ALEMANHA -- Em 1926 no
mesmo navio em que viajaram Dora Vetter e Hedwig Stoeger estava o casal
Helene Marie von Schramm Schmidt e Otto Albert Schmidt, ambos de
Dresden.
Segundo o Sr. Schmidt me contou a Igreja em Dresden
havia recebido uma carta da Igreja de Blumenau, pedindo que enviassem
pessoas para ajudar no trabalho de cura, pois havia muitas pessoas
precisando de cura e não havia ninguém para poder atender
aos que chegavam à Igreja. O praticista que tinham havia
voltado para a Europa ( me parece que para a Suíça).
Otto Albert era veterano da Primeira Guerra mundial
e fora testemunha de uma grande proteção que ele e seu
amigo tiveram. Num dia em que estavam de folga, foram ver a
batalha que se travava nos campos abaixo deles. Pararam numas
ruínas de onde tinham uma boa visão. Ouvia-se os
tiros de canhão, e onde impactavam os tiros. De repente o
amigo disse: Otto vamos sair daqui já. Sairam
correndo e se esconderam de trás de algumas
árvores. Mal haviam chegado e um tiro de canhão
acertou as ruínas, e se estivessem lá estariam mortos.
Após a guerra, Otto não tinha
emprego e o seu amigo abriu uma loja de artigos masculinos e o convidou
para trabalhar nessa loja. Otto perguntou-lhe porque ele era
diferente dos outros homens? E ele deu a Otto um exemplar do Der
Herold, o Arauto. Depois convidou Otto para assistir os cultos e
Otto gostou e ficou.
Helene Marie, me contou que ela era filha de uma
família da nobreza e que seu pai era capitão de um navio
da esquadra alemã. Ela me mostrou uma foto dele que
guardava em cima de uma estante. Na foto seu pai estava com sua
farda e aparecia uma pequena mancha na testa. Ela explicou que
uma mosca pousara em sua fronte no momento da foto, que tirara antes de
ir para a guerra. Mais tarde, numa das batalhas, ele recebeu um
tiro ali onde a mosca havia pousado.
Ela havia perdido sua mãe quando ainda era
muito criança, e ela e sua irmã haviam sido criados pelo
pai e no verão passavam as férias com a avó, que
morava no campo. Plantavam batata inglesa, e outros produtos para
seu consumo. Helene havia estudado pintura e fotografia nas
escolas de Dresden, que era o centro cultural da Alemanha, com muitos
museus.
Helene adoeceu e não encontrava cura para o
seu mal estar físico. Um dia ao falar para alguém
sobre como poderia ser curada. A pessoa respondeu: Vai na
Christliche Wissenschaft, Ciência Cristã, que eles te
curam. Mas eu não sei onde fica. A pessoa
esclareceu. Você passa muitas horas na janela e nos
domingos você não ve muitas pessoas passando de
fronte à sua janela? Sim, eu vejo, mas não sei onde
vão. Eles vão na Igreja da Ciência
Cristã. É só te aprontar no Domingo e seguir algum
deles, fica à poucas quadras de tua casa.
Helene fez exatamente isso e encontrou a Igreja
após foi visitar uma praticista e foi curada.
Assim Otto e Helene se encontravam nos cultos e
conheciam a mesma praticista. As atividades continuavam com
grande angustia pois havia na Alemanha uma inflação
tremenda. Uma superloja ou supermercado de hoje, batia o
sino às nove da manhã e às 3 h da tarde.
Cada vez que o sino batia dobravam os preços.
Um dia o mundo desabou para ambos. Helene foi
chamada pelo banqueiro encarregado pelo pai de administrar o dinheiro
de Helene. (Antes de partir para a guerra o pai havia repartido os bens
entre as duas filhas. A irmã, como era artista, escolheu ficar
com as jóias, e Helene ficou com o dinheiro). Ao chegar ao banco,
o dono do banco se desculpou muito que havia falhado com o que
havia prometido ao pai dela, e se sentia muito triste por quebrar sua
promessa de cuidar de Helene, administrando o dinheiro dela, que ficara
depositado em seu banco, e que para a época era suficiente
para sustenta-la por toda a sua vida. O banqueiro lhe disse, por
favor, assina este documento e me liberta de minha promessa a teu pai,
e você mesma cuida de seu dinheiro. Ela assinou, e ele
mandou buscar uma cesta tamanho médio que ele encheu de
dinheiro. Ela olhou espantada com a quantidade de dinheiro, ela
nunca tivera que administrar dinheiro antes. Ela perguntou o que faco
com todo este dinheiro? O banqueiro respondeu: Pega logo o
dinheiro e passa no Kaufhaus –O Magazine de vários andares - e
você pode comprar algumas barras de chocolate, e mais
algumas coisas. Ela me contou emocionada que, naquele
momento, ela viu que estava pobre, sem nada. Seus joelhos
começaram a tremer e ficou apavorada diante da perspectiva do que iria
acontecer com sua vida, daí para frente.
A loja onde Otto Albert trabalhava tinha muitos
clientes, e o proprietário tinha que tomar dinheiro emprestado
para poder comprar mais mercadorias. Assim, ele foi se
endividando mais e mais, e não encontrou um meio de como saldar
os compromissos assumidos. Diversos de seus credores eram amigos
da Igreja. Em seu desespero, e não encontrando outra
saída, apelou para sair do problema tomando uma medida
extrema. Um dia Otto ouviu um tiro e, quando foi ver, seu amigo
havia se suicidado. Os credores pegaram o que podiam, e
Otto estava na rua da amargura, sem saber o que iria fazer com sua vida.
Helene e Otto foram convidados pela praticista para
que viessem à sua casa. Ela precisava muito falar com
eles. Naquela tarde ficaram sabendo que uma Igreja do Brasil
precisava de trabalhadores dispostos a ajudar pessoas por meio da
oração. Expos a eles o assunto da carta que
recebera e, em vista da situação angustiante de cada um
deles, perguntou: - Vocês não gostariam de ir para o
Brasil? Os dois agradeceram e se retiraram e foram conversar
sobre o assunto. E foi o que os dois fizeram, provavelmente devem ter considerado o seguinte:
"Ir para o novo mundo, para o desconhecido, o que
vamos encontrar? Ficar na Alemanha? De que jeito?
Não tem trabalho, não temos dinheiro. A
solução é usar o pouco de dinheiro, que ainda
temos, e viajar para o Brasil e levar para eles o que nós temos e
conhecemos: que Deus cura todo o tipo de problemas. "
Helene era mais velha que Otto, talvez uns 20 anos,
mas resolveram casar e prepraram tudo para viajar . A bordo do
navio, encontraram as duas senhoras: Dora Vetter, que já era
praticista listada em Dresden, e sua companheira Hedwig Stoeger. As
duas já eram membros de A igreja Mãe, enquanto que
o casal Schmidt não era membro de Igreja Filial, nem de A Igreja
Mãe e não haviam feito o Curso de Ciência
Cristã.
Capítulo III
A
CHEGADA AO BRASIL E O INÍCIO DA PRÁTICA PÚBLICA DA
CIÊNCIA CRISTÃ
Estavam vindo para o novo mundo, o Brasil, com
o mesmo espírito de levar o Cristo sanador com que o
apóstolo Paulo fazia suas viagens pelo Oriente
médio. Assim como ele dissiminou os ensinamentos de Jesus,
e muitas curas foram feitas, assim o casal Schmidt viajou convicto de
que eram discipulos modernos do Pastor impessoal, levando os
ensinamentos da Bíblia e de Ciência e Saúde para os
corações e mentes receptivas e necessitadas do Brasil.
A bordo do navio, como era comum naquele tempo, pois
cada viajem levava várias semanas fizeram cultos aos domingos e
quartas-ferias. Otto falou para muitos passageiros que iriam para
o Brasil para curar. Entre os passageiros estava um homem que
morava no Rio Grande do Sul, na região de Panambi. Volto a
falar nele mais tarde.
O navio parou no litoral de São Paulo, na
Ilha das Flores, onde todos desembarcaram e ali ficaram por 40
dias. Depois foram liberados para seguirem viajem para o sul, de
barco, que entrou pelo rio Itajai-Assu, até a localidade de
Blumenau, em Santa Catarina. Esses barcos menores pertenciam a um
homem de Joinville. O filho dele, doente casou com Ursula Zappe,
que hoje mora em São Paulo. Mas isto é parte da
história de Joinville.
O casal Schmidt, como já havia duas senhoras
que estavam vindo para Blumenau, sendo que Dora já era
praticista listada, aceitaram um trabalho no interior uns 60 Kms de
Blumenau em Morro Redondo. Depois de um ano trabalhando nesta
propriedade rural, a vida estava boa, havia trabalho, comida e um
salário. Mas ao avaliarem este ano no Brasil, se
perguntaram: "Quantas pessoas nós curamos neste ano?
Nenhuma. E, para que nós viemos para o novo mundo?
Para curar, logo, nosso lugar não é
aqui. Vamos para Blumenau. Vamos trabalhar na Igreja, e
curar o povo que busca a cura espiritual." Pediram as contas mas o
proprietário não queria que eles saíssem, insistiu
muito para ficarem. Pelo que me lembro Otto falou que ele tinha
muitos animais selvagens, era como um pequeno zoológico.
Em Blumenau alugaram uma chácara onde
pudessem plantar verduras, criar galinhas, para se manterem e para
vender na cidade. Dedicavam todo o tempo livre a ajudar o
próximo por meio de oração. Ele me contou
que ia pela cidade com a sua mula puxando a carroça. Como
era muito quente no verão, colocou um chapéu na cabeca da
mula, cortou o buraco para as duas orelhas, e era uma novidade pois,
nunca o povo tinham visto uma mula de chapéu. Mas Otto era
outra atraçao pois para vender suas verduras vestia camisa
branca com colarinho engomado e gravata borboleta. Vocês
podem imaginar que figuraça que era o Otto e sua mula.
Todos deviam conhecer os dois.
Entre os amigos de Otto havia um médico que
vinha um dia por semana para jogar xadrez. Um inverno enquanto
jogavam xadrez, Helene estava tossindo no quarto. Na semana seguinte a
mesma coisa. Eles viviam numa casinha muito pobre, pois o piso da
cozinha era de terra batida. Na próxima visita o doutor
perguntou ao Otto sobre a saúde de Helene. Ela
está’ bem, respondeu Otto. Ele observou: Otto eu
não estou gostando dessa tosse que estou ouvindo. Eu
gostaria de examinar a sua esposa. Bem, vou perguntar a
ela. Helene concordou e o amigo doutor a examinou detalhadamente,
e falou para eles. Otto, a situação é
grave. Compra uma passagem de volta para a Alemanha porque ela
tem menos de seis meses de vida.
Bem, isso foi um choque para os dois. Depois
que o doutor se retirou começaram a conversar sobre o que fazer
diante desta situação. Viajar para a Europa ou
ficar no Brasil. Finalmente ele lhe perguntou: Helene você
quer viajar para a Alemanha para morrer lá, ou você quer
ficar no Brasil e viver.
Ela me contou que com voz chorosa teria dito
que queria viver. Então você decide
ficar no Brasil e viver? Sim, ela respondeu. E com a
leitura da Lição Bíblica, suas
orações perseverantes e diligentes ela foi curada
completa e permanentemente.
Suas atividades na Igreja foram trazendo frutos e
mais pessoas vinham a ela em busca de ajuda espiritual para seus
problemas. Em Blumenau, na primavera e início do
verão, sempre tinha enchentes. Durante uma delas, uma paciente
estava esperando bebê. Ela morava do outro lado do rio
Itajaí. Foi até a margem do rio que estava muito
largo cobrindo as barrancas, descendo na correnteza vinham
galhos, árvores, animais mortos, nenhuma canoa
atrvessava o rio por ser muito perigoso. Ela estava procurando um
canoeiro que a levasse para o outro lado. Precisava muito ver a
paciente, não estava preocupada que sua própria vida que
corria perigo, seu amor abnegado a impelia a continuar sua busca por
encontrar um bom homem capaz de levá-la para a outra
margem. Finalmente encontrou um senhor, já não
tão jovem, que se dispos a levá-la até o outro
lado. Ele confiou que a razão porque ela queria atravessar era
importante e esperava que Deus o ajudasse a conduzir a canoa a salvo
para o outro lado e para voltar. Ele foi subindo com sua canoa
contra a correnteza um trecho grande, e depois com destreza virou a
canoa para iniciar a travessia. A correnteza forte obrigava o
canoeiro a seguir pela correnteza mas foi desviando um pouco na
direção do outro lado. Assim, conseguiu atravessar
e ela desembarcou agradecida do outro lado. E o canoeiro ia
adiante e ela ficou orando para que tivesse um retorno seguro e assim
aconteceu.
A paciente estava precisando de sua ajuda, pois o
bebê estava atrasado e já deveria ter nascido.
Finalmente ele nasceu e ela ficou lá ajudando a mãe, e
cuidando do bebê, por vários dias, até ela
poder cuidar do bebê e de sua casa. Durante esses
dias o rio baixou e pode voltar tranqüilamente para a sua casa.
A prática pública da Ciência
Cristã não era fácil em uma cidade pequena com
muitas pessoas vindas das áreas rurais, e muitas vezes era
chamada para ir visitar esses pacientes. A Dora Vetter, mudou-se
para São Paulo, pode-se ver num Arauto alemão
de 1928 a 1929.
Helene passou por mais uma prova dura, que
fortaleceu sua fé no infinito poder de Deus. Ela e Otto
Albert confiavam com absoluta certeza em Deus como “ Socorro bem
presente” .
Helene me contou que os dois cuidavam da horta, e
ela ainda criava galinhas para seu alimento e para venderem os
ovos e os frangos. Numa ocasião em que uma galinha choca estava
com pintinhos, ela chocava no porão da casa, e na saída
do porão ela tinha feito um quadrado com tábuas á
volta da entrada do porão, o que permitia a choca pular
para buscar alimentos além do quadrado enquanto os pintinhos
ficavam seguros, fora do alcance dos gaviões. Num dia de
calor, repentinamente veio um vento forte levantando muita
poeira. Sua casa estava toda aberta e correu para fechar janelas
e portas, como sempre fazia. Na sua pressa não se lembrou
das tábuas no caminho e caiu quebrando o braço esquerdo.
Otto a levou ao médico que tratou dela e
colocou gesso no braço. Naquele tempo ficava-se noventa
dias com o gesso. Era verão, época de calor,
muito calor. Ela contou que foi horrível aguentar
todo aquele tempo. Finalmente chegou o grande dia de tirar o
gesso. Mas ao tirar o gesso apareceu um braco torto.
Decepção, frustração e
desânimo. A solução encontrada foi
quebrar o osso novamente e colocar novo gesso por mais alguns
meses.
Enquanto estava com o gesso, já estava livre
de dores e cuidando de suas galinhas, havia outra choca com pintinhos,
preparou tudo para os gaviões não pegarem os
pintinhos. E, um dia quando estava trazendo lenha para seu
fogão, não lembrou da tábua no caminho,
novamente, e … caiu quebrando o outro braço. Otto
estava trabalhando num canteiro da horta. Otto corre aqui.
Quando chegou viu o que tinha contecido, e perguntou a ela: E
agora, você quer ir para o médico para colocar o
braco no gesso, perigando ter que quebrar ele de novo em noventa
dias se não estiver no lugar, ou VOCÊ
QUER CONFIAR EM DEUS. Eu quero confiar em Deus, não quero
mais passar por aquele sofrimento.
Otto a ajudou a entrar na casa cuidou dela e a
colocou na cama, leram a Lição Bíblica, cantaram
hinos, fizeram o Pai Nosso com a interpretação
espiritual, e ela dormiu. Depois ele também se
recolheu. Na manhã seguinte, ela acordou muito bem, sem
dor, e com movimento perfeito no braço. O
braço estava perfeito. Durante a noite ele fora restaurado
às suas funções normais. Ela me contou que
durante a noite, como se fosse um sonho, sentiu um par de mãos
pegarem o seu braço quebrado e ajustaram os ossos, não
sentiu dor, só uma sensação de suavidade e
delicadeza. Que se sentiu muito bem pois sentia uma
sensação de bem estar e normalidade. E depois
aconteceu a mesma coisa com o outro braço. As mãos
pegaram o braço como se não tivesse gesso, e
ajustaram os ossos. Ela continuou dormindo até a hora de
levantarem. Só nesse momento é que se deu
conta das curas maravilhosas que haviam acontecido e seus dois
braços estavam restaurados às suas
funções normais.
Capítulo IV
A
CONSTRUÇÃO DE UMA IGREJA DE CRISTO CIENTISTA,
PIONEIRA NO BRASIL
As atividades da Ciência Cristã
cresceram e se fortaleceram e começou a construção
de uma igreja, que está lá no mesmo local. O casal
Schmidt teve ação importante na
construção e Helene pintou um quadro desta Igreja,
que eu via sempre na casa do casal em Porto Alegre, e depois o vi
pendurado no hall de entrada da Igreja em Porto Alegre, depois o vi na
casa do zelador, e depois não vi mais. Já
perguntei por esse quadro, mas até agora ainda não
apareceu.
Em 1931 apareceu um homem que veio de trem de
Panambi procurando pelo casal Schmidt pois queria ajuda por meio de
oração. Esse homem, havia estado no navio em
1926. Havia adoecido algum tempo depois de seu regresso.
Não havia encontrado cura na medicina e se lembrara do que Otto
lhe falara. “ Estamos indo para o Brasil para curar.”
Resolveu ir a Blumenau, sem saber se iria encontra-los, pois
não tinha mantido contato com eles. Tinha de
enfrentar uma longa viagem de trem de mais de 500 Km, que durava
vários dias. Mas não demorou muito voltou a Panambi
curado. Não tardou muito apareceu outro homem de
Panambi, em busca de cura. Ele buscava cura para ficar livre do
sofrimento que a asma lhe causava. Ele sofria muito com os acessos de
tosse, e não tinha nada que aliviava os ataques. Ele
também voltou curado de Blumenau. Faz uns 10 anos, durante o Curso que eu estava
dando na fazenda, contei sobre este segundo homem que veio de Panambi,
uma das alunas me perguntou se eu sabia de que ele havia sido
curado? Eu disse que não sabia. A aluna disse: Eu
sei, ele era meu pai. E então contou que ele voltara
completamente curado e nunca mais tivera problemas
respiratórios. Ainda acrescentou: Eu fui aluna do Sr.
Schmidt em 1935, em Panambi. Esta senhora Olinda Schemmer vive
com seu filho Arnildo e a mulher Glacy em Marechal Cândido Rondon
e são esteios da Igreja.
Capítulo V
OTTO: UM ANDARILHO QUE FOI DE BLUMENAU A PANAMBI PARA ATENDER UMA DEMANDA PARA A CURA CRISTÃ
Depois desta cura, Otto recebeu uma carta em que
pediam que ele fosse a Panambi para atender às muitas pessoas
que estavam à sua espera para serem curados.
Otto e Helene conversaram sobre ele ir para o sul,
seria uma longa viajem, ele ficaria fora muito tempo ou talvez nem
voltasse mais para Blumenau, e se tudo desse certo ela iria mais
tarde.
Ele não tinha dinheiro para a viagem,
pegou uma mala com algumas roupas, a Bíblia, o livro
Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, o livrete
Trimestral da Ciência Cristã, o Manual da Igreja
Mãe, alguns Arautos em alemão, e folhas do Christian
Science Monitor, em alemão. Ele perguntou como chegaria a
Panambi, lhe deram a seguinte informação:
Você acompanha o rio Itajai até o Atlântico, e dai
você acompanha o mar em direção ao sul, uma grande
distância até’ que você ve umas rochas na beira do
mar. Parecem torres. Logo depois você vai encontrar uma
Estrada que segue perpendicular ao mar para dentro da selva.
Segue por esta estrada, subindo a serra, até você
encontrar outra que vem de Porto Alegre. E logo depois você
chega na estrada que vai para Panambi, que fica no município de
Cruz Alta.
Otto se despediu de Helene e com fé’
em Deus seguiu para a sua nova frente de trabalho, alegre, porque havia
pessoas que estavam desejosas de serem curadas pela
oração científica.
Eu não sei qual a
distância que separa Blumenau de Panambi, mas penso que
não são menos do que 500 Km. Otto era muito
determinado e não media sacrifícios para ir ajudar ao seu
próximo.
Um dia, conversei com ele sobre esta
viagem, e ele contou que era verão e havia chuvas o que fazia
que pequenos corregos que desaguavam no Atlântico ficavam fundos
e era preciso subir ao lado deles até poder cruzar para o outro
lado, ou encontrar alguém que tivesse uma canoa para
atravessá-lo. Um dia ele chegou numa casa, mas não
havia ninguém em casa, ele esperou, bateu palmas, mas
ninguém apareceu. Então entrou na canoa e remou até o outro
lado e abanou ela presa, onde o dono poderia ve-la.
Naquele tempo alguém que
estivesse sozinho caminhando era convidado para comer com a
família e oferecido um lugar para dormir, podia ser no
paiol, mas era melhor do que dormir na praia.
Em sua caminhada para o sul, um
dia encontrou um grupo de soldados que vinham do sul para o
norte. Lembram que em 1932 ouve confrontos entre Getúlio
Vargas e os Paulistas. Pararam o Otto e interrogaram-no
para onde ele estava indo, olharam o que trazia na mala. Se ele
era alemão, se tinha servido na Guerra de 1914-18? - Sim. Respondeu Otto.
- Você sabe atirar? - Sei. - Então você vai ensinar
os nossos homens a atirar com o fuzil, pois estes soldados só
sabem atirar em passarinho, nunca atiraram num homem.Otto respondeu: - Quando sai do exército alemão, eu fiz uma promessa a Deus: Eu nunca mais vou pegar numa arma para atirar em alguém. O Oficial disse: - Você
não tem escolha. Ou você ensina os homens a atirar,
e nós lhe vamos pagar pelo servico, e depois você
continua sua viagem, e se não fizer isto, vou considerar
você como sendo um espião dos Paulistas que está
vindo para o sul espionar para informar a eles a nossa
posição, e você será fuzilado.
Otto continuou firme que não ia pegar em nenhuma arma. O oficial continuou e insistiu: - Tu não tem que pegar na arma, explica pro sargento e ele ensina pros soldados. Tu só explica pra eles como você foi ensinado a atirar. - Não posso fazer isso. Disse Otto e continuou: - Minha promessa era no sentido de nunca mais ferir ou matar nenhum homem, e se vou ensinar outros eu estaria quebrando a minha promessa, por isso não posso atender o seu pedido. Finalmente consideraram que ele devia ser louco para não querer o dinheiro, já que não tinha nenhum dinheiro e deixaram ele seguir rumo ao sul, rumo a Panambi. Estava caminhando ao longo de uma longa praia,
e isso pode ter sido, depois das torres de pedras, que hoje é um
parque estadual, e fica na cidade de Torres, RS, divisa com Santa
Catarina. Bem ao longo da praia não tinha casas,
não tinha moradores. Estava com muita fome, e finalmente
encontrou um homem pescando. Se aproximou e fez com gestos para o homem
que estava com fome. Ele tinha acabado de pescar um peixe de
alguns quilos. Chamou a mulher e mandou preparar o peixe.
Otto acompanhou a mulher e ficou olhando ela limpar o peixe, acender o
fogo e comecar a fritar pedacos do peixe, cujo cheiro estava uma
delícia, mal podia se conter e esperar para ela tirar o peixe da
panela. Comeu ainda quente não esperou esfriar, continuou
comendo, comeu mais um pouco, a medida que ela fritava ele foi
devorando o peixe. Lembro que certa feita Otto me disse:
- Sabe eu comi a maior parte daquele peixe. Depois da comida é hora de por o pé no
caminho novamente, mas havia umas nuvens negras no céu, e
o homem convidou ele para ficar até passar a chuva. O casal e
ele se abrigaram na pequena palhoça. Ele contou que era
tão pequena que o casal colocou a esteira de palha sobre a areia
para ele deitar, enquanto eles se encostaram na parede oposta, mas
não podiam estirar os pés, pois não tinha
lugar. Assim passaram a noite. Noutro dia, Otto gostava
muito de pescar, e deve ter pescado um pouco com o seu amigo,
até haver mais peixe frito, comeu e seguiu seu caminho,
procurando a estrada para subir a serra por dentro da mata virgem.
Enquanto estava caminhando nesta mata, um dia
apareceu um homem a cavalo. Chegou perto dele e falou em
português. Otto não falava nada de português,
mas o homem apontava para a mala. Queria a mala. Mas Otto
não podia lhe dar a mala, ali estavam os seus livros, seu
material de trabalho. E se recusou a entregar sua preciosa
carga. O homem pegou o facão e ameacou atacá-lo se
não entrega-se a mala. Nessa emergência, estando em
perigo, sem ninguém à vista, só o homem e
ele, estava buscando uma solução. Ele me disse:
- Sabe Orlando eu não lembrei de orar. Eu não sabia como orar quando se está numa emergência. Mas buscando uma solução me
ocorreu que enquanto eu estava de sentinela durante a Guerra eu treinei
ventriloquia, a arte de falar sem mover os lábios.
Aspirei fundo e olhei para o homem e falei algumas palavras em
alemão como se estivesse falando para alguém que
estivesse por perto. O homem se assustou e comecou a olhar para
os lados para ver donde veio a voz, quem é que estava
escondido. Otto, pensou está funcionando. Vou fazer
de novo. E na segunda vez, o homem deu de esporas no seu cavalo e
saiu a galope pela estrada.
Já fazia tempo que ele estava
caminhando. Não me disse quantas semanas, mas a sola dos
sapatos já tinha acabado. Embora estive mais
perto, ainda faltava muito para chegar a seu destino final
. Encontrou a estrada que vinha de Porto Alegre, e entao
já tinha caminhões e carros passando por ela. Um
carro parou, e perguntaram para onde ele estava indo?
– Eu vou para Neu Wirtenberg, que é Panambi. – Nós também. Eram quatro homens, mas no
Ford modelo T cabiam seis pessoas. Faltavam ainda 80 kms para
Panambi. Estava muito contente com a carona, e feliz de que
estava chegando, e que estava chegando de carro, como pessoa importante, mesmo que não
tivesse mais sola nos sapatos.
Deve ter chegado em fevereiro de 1932. O
trabalho de cura dele foi notável. E, logo se
espalhou chegando a muitas pessoas que estavam enfermas. A
notícia de que em Panambi tinha um senhor vindo de Dresden
e de que estava curando os enfermos com sua Bíblia e um outro
livro, espalhou-se rapidamente.
Entre os primeiros que
começaram a estudar estava Felipe Schnee, e sua família.
A filha Meta Schnee, vive em Panambi, e a visitei no ano passado, em
companhia de meu irmão Ovídio, que reside em
Panambi. Muito alegre. Rimos muito durante o pouco tempo
que estive em sua casa.
Capítulo VI
A
CIÊNCIA CRISTÃ COMEÇA A CONQUISTAR
CORAÇÕES EM PANAMBI
A Ciência Cristã chegou a nossa
família da seguinte maneira. Deve ter sido em marco de
1932, quando um parente de meu avô, que morava uns 150 kms de
Panambi, numa localidade chamada Serra Cadeado ( se não me
engano) estava em sua casa sofrendo de um crescimento, tipo de berrugas
pretas, na planta de seus pés. Havia ido duas vezes ao
médico que cortara fora as berrugas, mas voltavam a
crescer. Quando foi pela terceira vez, o médico lhe disse:
- Filho, não vou operar mais, pois parece que
quanto mais eu corto mais verrugas aparecem. Eu não
conheco nenhuma cura para este mal. Aguenta até que
aparece uma solução. Ele só conseguia se
movimentar caminhando sobre os joelhos e as palmas da mão.
E ficava sentado na varanda da casa e via a mulher e os filhos pequenos
trabalhando pesado, enquanto ele com um corpo sadio e forte ficava
sentado olhando. Não aguentando mais aquele
sofrimento , teve uma conversa com Deus:
- Deus ou me cura ou me leva, mas eu não
quero mais ficar nesta situação.
É uma oracao sincera, simples, direta,
um desejo clamando por ajuda para poder usar o seu corpo para trabalhar
para a glória de Deus.
Naquela mesma semana apareceu uma vizinha,
que perguntou sobre sua saúde, e depois lhe contou que havia um
homem que veio da Alemanha que estava em Panambi curando os
doentes. Quem sabe ele também poderia ser curado. Eu
tenho o nome e o endereco dele lá em casa eu vou buscar e tu
escreve para ele.
Logo, no dia seguite escreveu e mandou a
carta. Não demorou muito recebeu resposta. Escreveu uma
segunda carta, logo veio resposta. Quando recebeu a terceira
carta do Sr. Schmidt ele estava curado. Decidiu que iria a
Panambi para conhecr este homem e para expressar sua gratidão.
Um vizinho estava de mudanca para Panambi com sua
família. E ele acompanhou-os, provavelmente caminhando a
pé. Ao chegar em Panambi foi visitar o Otto, e depois
lembrou que o Heinrich Leopold Holderbaum, seu parente estava morando
ali perto. Ficou sabendo que eram 18 kms. não tinha
cavalo e pediu emprestado, mas como não era conhecido
ninguém emprestou. Assim foi a pé. Chegou na
casa de meu avô materno, e viu que meu avô era só
pele e osso. Sofria muito com dores na barriga. Já tinha
tentado todos os remédios, chás, benzedura, etc. mas
continuava piorando. Bem, o visitante contou como ele estava
sofrendo fazia poucos meses, e não tinha nenhuma
esperança de cura, até que soube do Sr. Schmidt, e fora
curado rapidamente e a cura for a completa e permanente, pois havia
caminhado muitos kilometros para chegar até a casa do
vovô. E acrescntou:
- Assim como eu fui curado, tu também podes
ser curado.
Depois de uns dias ele seguiu seu caminho de
volta para a sua casa em Serra Cadeado. Sabemos as datas porque
meu irmão encontrou um velho caderno de anotacões onde
Otto havia escrito: “Pessoas que me visitaram em
Fevereiro/Marco e seguia os nomes, depois Abril / Maio e entre os nomes
que estão na folha aparece os de Heinrich Leopold Hodlerbaum e
Paulina Hahn Holderbaum, de linha Hinderburch ( hoje é Assis
Brasil).” E depois no mês de agosto aparece o nome de
Erminda Venilda Holderbaum Trentini, que é minha mãe.
Meu avô, me contou, mais tarde
quando morávamos em Porto Alegre, na década de
50. Eu não fui logo procurar o Sr. Schmidt. Eu
aguentei mais uns dias, mas como as dores se intensificaram, perguntei
para a Paulina (nome de minha avó ) você vai comigo
a Panambi para visitar este homem? Eu vou contigo. E no dia
seguinte os filhos celaram dois cavalos e os dois foram. Eram 4
horas a cavalo para chegar na vila.
Encontraram o Otto, conversaram com eles, e ele orou para eles e
leu da Bíblia e do Ciência e Saúde, lhes
emprestou um Arauto alemão, e voltaram para casa.
No caminho minha avó perguntou para o vovô: - Como você se sente Leopold? - Continua tudo igual, a dor não passou. E ela disse: - Sabe enquanto ele estava falando a dor que eu sentia na minha barriga há muitos anos, desapareceu. E não voltou mais. Vovô então concluiu: - Bem, se te ajudou a ti, vou ler o Arauto e confiar que vai me ajudar também. Leram o Arauto, e daí a uma semana foram
fazer nova visita ao Sr. Schmidt. Depois, na semana seguinte o
Otto veio visitá-los e dentro de um mês meu avós
estava completa e permanente curados.
Depois disto meu avô, falou
com a minha mãe, e isso pode ter acontecido no dia do meu
aniversário de um ano:
- Sabe Erminda, eu estou curado, não sinto
mais dores na barriga e agora posso comer de tudo, e já
estou recuperando meu peso. Vejo que você
parece não estar bem, e o Orlando muitas vezes está
doente, porque você não vai até Panambi visitar o
Sr. Schmidt.
Uma coisa que meu avo não sabia e que
minha mãe me contou quando nós já
morávamos em Porto Alegre, eu devia ter uns 12 para 13
anos. Minha mãe contou que a vida era muito dificil para
ela e meu pai, pois era o periodo depois do crack da bolsa de Nova
Yorque, e os produtos agrícola não valiam nada, e o que
precisavam comprar era tudo caro. Ela tinha pedido emprestado um
dinheiro de seu padrinho Doerr, que morava perto de Estrela, RS. E com
esse dinheiro tinham comprado os doze hectares de terra,
construído a casa, e o galpão, a fossa de curtir
couros e a solaria. Assumiu pagar todos os anos um certo valor a
título de juros. Mas não tinham dinheiro para pagar
os juros. E para arrumar o dinheiro vendeu o cavalo, e no
ano seguinte a sela de montaria, os dois eram parte de seu
enxoval. Meu pai tocava clarinete numa banda de música que
tocava nos bailes e querpes, festas-baile que duravam 3 dias. Ele
ficava muito tempo fora de casa. E, parecia a ela que ele não
gostava dela.
Por isso, quando eu tinha 11 meses, um domingo
depois do almoco, arrumou a casa, pos uma toalha na mesa, um vaso com
flores – meu pai ficava jogando cartas a dinheiro com os vizinhos, da
manha até a noite, só vinha em casa para comer. Ela
estava cansada de sua vida, e resolveu dar um fim em tudo. Eu era
bem gordinho, e me carregou no colo uns 6 kms até o rio
Ijuizinho. Pediu ao balseiro para levá-la para o outro
lado. Quando a balsa chegou no meio do rio onde a correnteza era
mais forte e mais fundo o rio, ela se preparou para pular na
água comigo no colo. No último momento, lhe veio um
pensamento, ou uma voz que lhe perguntou:
- Se o balseiro salvar o Orlando quem vai criar
ele?
Enquanto buscava uma resposta a balsa enconstou na
outra margem.. Desceu e foi visitar uma prima, e depois voltou
até o rio esperando o balseiro para transportar-nos para a outra
margem. Ficou 2 ou 3 horas na beira do rio, até que ele
veio. Anos mais tarde eu perguntei para ela:
-E nessas horas que você ficou na beira do
rio, você não teve vontade de pular no rio?
-Não tive mais vontade, pois comecei a sentir
que eu precisava viver para cuidar de ti e para cresceres e seres um
homem digno.
Logo, depois que soube da cura de seu
pai, minha mãe pegou o cavalo do meu pai e foi até
Panambi para falar com o Sr. Schmidt. Ela voltou como se
estivesse envolvida por uma luz brilhante. Tudo era muito mais
lindo, nenhum pensamento triste, cheio de esperanca e de expectative de
que tudo estava bem com o filho, com ela e com o marido. Ela disse, que
naquela primeira visita o pensamento de suicidio desaparecera
completamente. Nunca mais lembrou disso, até o dia que me
contou em Porto Alegre, 12 anos mais tarde.
Minha mãe se sentiu muito bem, e recebera uma
folha do Christian Science Monitor, em alemão,para ler.
Leu e releu esta folha até fazer nova visita, e ia na casa dos
pais para ler o Arauto que eles tinham. Então, minha mãe falou para meu pai:
- Edwino eu achei o caminho que quero seguir com
meus filhos, se tu também quizeres seguir este caminho
terás que ir fazer uma visita ao Sr. Schmidt.
Papai aguentou mais uns tempos, mas um dia foi
visitar o Praticista. Gostou do que ouviu e comecou a ler a
literatura da Ciência Cristã. Meu pai tinha
uma ferida na boca, que doia muito e era muito feia, dificultava ele
tocar o clarinete, e estava sentindo que os dentes comecavam a se
afloxar. Bem, esta ferida não demorou muito desapareceu.
Ele também tinha sempre um ou dois furúnculos ativos em
seu corpo, também desapareceram e não voltaram mais.
Otto era enérgico com os pacientes.
Certa feita ele falou:
– Se o médico diz para vocês comprarem
remédios vocês arrumam o dinheiro e vão
comprar. Para obter a cura, em harmonia com a lei divina,
vocês têm que comprar os livros e estudar.
– Meus pais tinham a Bíblia ( Mamãe
era Luterana e meu pai era da Igreja Congregacional, como a da familia
de Mary Baker Eddy). Entao compraram o livro Ciência e
Saúde, assinaram o Arauto e o Livrete e compraram o Manual de A
Igreja Mãe.
Capítulo VII
A
CHEGADA DA FRAU SCHMIDT EM PANAMBI
Creio que a Frau Schmidt chegou a Panambi no
inverno de 1932, depois de cuidar de entregar a casa e cuidar de todos
os detalhes para encerrar suas atividades em Blumenau. Ela me
contou que quando chegou em Panambi, havia chovido e tinha muito
barro. O ônibus, que trazia os passageiros trazia
também toda a carga desembarcada do trem. Viajei
neste onibus em 1957 com minha jovem família, e tinha de
constantemente empurrar pacotes para trás que caiam sobre
nós, devido as trepidações do
ônibus. Havia chovido bastante e havia muito barro
nas ruas da cidade. Assim ao descer do ônibus, teve de
pisar no barro e seu pé afundou até os tornozelos.
Ela sentiu um grande desespero que Deus a tinha levado ao fim do mundo,
sem conforto, e em meio a um povo embrutecido pelo meio ambiente em que
vivia. Mas a chegada dela foi uma grande ajuda para Otto.
Otto era muito brincalhão e estava
sempre fazendo piadas, e por vezes, suas piadas incomodavam os
pacientes. Mas a Frau Schmidt era terna, amorosa, compreensiva,
estava sempre pronta a por panos quentes e dar a sua
contribuição para que se mantivesse a harmonia e
continuassem a vir as pessoas buscar ajuda espiritual e continuarem seu
estudo de Ciência Cristã.
Quando meus pais começaram a ler a
Lição Bíblica eles levavam 2 horas para
conseguirem ler toda a lição. Mamãe tinha
três anos de escola primária e meu pai dois. Numa escola
rural, rudimentar, e depois disto nunca mais haviam visto livro nem
jornais, muito menos escrever. Minha mãe havia recebido uma
Bíblia do Pastor ao receber a confirmação na
Igreja Evangélica Luterana de Panambi. Agora tinham que
aprender a ler novamente.
Meu pai me contou que para marcar os livros ele
cortou tiras de papel e numerou-os de 1 – 12 que serviam para marcar a
Bíblia e eram colocados na parte superior da Bíblia. E
número de 13 – 25 para colocar na parte de baixo da
Bíblia. E fez o mesmo com o Ciência e Saude.
Logo que começaram a estudar as
Lições Bíblicas, o pai do meu pai, que
gostava muito de pinga, disse que meu pai tinha enlouquecido, porque
não tomava mais cachaça, e não jogava mais cartas
a dinheiro, e não tocava mais na banda, comecou a hostilizar o
filho que tinha ficado louco. Isso foi piorando nos anos que se
seguiram, até o ponto de considerar que seu filho estava morto
para ele, e proibiu todos os 7 irmãos que ninguém mais
fosse na casa do Edwino.
Também clientes da selaria do
meu pai evitavam de vir comprar dele ou fazer encomendas, passavam em
frente da solaria e iam 7 Km adiante dar seu pedido para o
concorrente. Meu pai me contou que nessa época ele e a
mãe, aos domingos, iam caminhar na mata e colher frutas
silvestres, e traziam plantas com flores e trepadeiras para plantar no
jardim à volta da casa.
Meus pais liam a Lição
Bíblica, todos os dias pela manhã, bem cedo. Era a
primeira atividade do dia. Muitas vezes eu acordava e ia sentar
no colo de um deles perto do fogão de lenha, enquanto liam e
tomavam seu chimarrão.
Aos poucos a situação foi
melhorando , surgiram mais pedidos, os animais não morriam mais,
e suas orações curavam a mim, a eles, e aos animais
domésticos também.
Por esta época ouve uma epidemia de
tifo, e muitas pessoas morreram, a mãe do meu pai ficou muito
doente. E meu pai e uma irmã a levaram para Panambi para
ser tratada pelo médico Dr. Lieberknecht, em seu hospital.
Mas a febre estava muito alta e ele falou para os filhos, ao lado da
cama dela, que ele não podia fazer nada até que a febre
baixasse. Enquanto isso ela poderia morrer a qualquer momento.
Meu pai, falou para sua irmã: – Eu não vou ficar parado aqui
esperando que minha mãe morra, eu vou falar com a frau Schmidt e
pedir para ela orar.
A Frau Schmidt aceitou orar para ela, e pediu a meu
pai: – Eu vou orar ate’ ela voltar a si, e a febre
tiver baixado, ai você pergunta para ela: A senhora quer que a
frau Schmidt continua orando ou a senhora quer que o medico cuide de ti?
Quando ela despertou meu pai fez a pergunta
para ela e ela respondeu que já que estava na casa do
médico queria que ele continuasse cuidando dela.
Ela se recuperou completamente.
Alguns anos mais tarde, num domingo quando todos os irmãos,
inclusive os casados e netos estavam presentes, na hora do
almoço o meu avô começou a xingar a Ciência
Cristã. E minha avó parou de fritar bolinhos e veio
até a mesa onde todos estavam sentados. E falou:
– Adolf, eu vou falar só uma vez,
presta atenção. No hospital, eu estava com febre
mas eu podia ouvir tudo o que estavam falando no quarto. Quando o
médico disse que não podia fazer nada até baixar a
febre, e ele não tinha nada para fazer baixar a febre, e que eu
podia morrer a qualquer momento, o Edwin disse para a Elsa: Eu
não vou deixar minha mãe morrer, eu vou pedir ajuda para
a Frau Schmidt. Se, eu estou viva é graças
à Ciência Cristã, e não por causa do
médico. Era isso que eu tinha para falar.
E voltou a fritar bolinhos. Nunca
mais meu avô atacou a Ciência Cristã nem mostrou
qualquer hostilidade.
Capítulo VIII
UMA
CURA INFANTIL NOTÁVEL, GRAÇAS À
CIÊNCIA CRISTÃ
Quando eu tinha uns 4 anos eu adoeci e
fiquei inconsciente, aconteceu numa sexta- feira. Todo o dia meu
pai e minha oraram com a Lição Bíblica e com o
Arauto, assim também durante a noite. No sábado,
meu pai foi a cavalo até a casa do vovô Holderbaum para
pedir que um dos filhos fosse até Panambi pedir para o Sr.
Schmidt vir até a nossa casa por que o Orlando estava precisando
de oração. Quem foi até Panambi, foi o tio
Oscar. Deve ter chegado lá já depois do meio
dia. E já não dava para o sr. Schmidt vir e voltar
no mesmo dia, pois no dia seguinte, domingo, ele era o Segundo Leitor ,
a Helene era a Primeira Leitora, ele também tocava o
violino para cantarmos os hinos. À tarde vinham pessoas dos
arredores para falar com eles. Mas mandou avisar pelo tio Oscar
que na 2a feira, logo cedo, estaria chegando para me ver. E que
ele já estava orando para mim.
No domingo de manhã, o terceiro dia
que eu estava inconsciente, veio a tia do meu pai, tia Carolina Winck,
e foi até a minha cama e viu que estava preta a
situação para o Orlando. Assim começou a
falar para meus pais, pensando em prepará-los para o meu
falecimento. Falou:
- O Orlando sempre foi uma criança
doentinha, vocês levaram ele para o médico mas não
foi curado, depois vocês levaram ele para a religião mas
ele também não foi curado, deixa agora que Deus leva o
Seu filho de volta para Si.
Quando ela falou isso, meu pai, falou energicamente
com ela, que Deus era a Vida e Deus estava presente, portanto, a
Vida estava presente e o Orlando reflete Vida perfeita. Tia faça
o favor de se retirar de minha casa, pois a senhora têm
pensamentos de morte.
Ela ainda fez protestos de que só queria
ajudar, e meu pai ainda acrescentou:
– Se a senhora quer ajudar vá
para a casa, pegue o seu livro Ciência e Saúde e leia, e
ore, então estará ajudando a nós e ao Orlando.
Ela foi para casa, e abriu Ciência e
Saúde e abriu ao acaso na página 206: 20-22, 27-29
e ela começou a ler até que chegou onde diz:
“ Acaso
envia Deus a doença, dando à mãe um filho pelo
curto espaço de alguns anos, para depois tirá-lo pela
morte? Em vez de mandar a doença e a morte, Deus as
destrói e traz à luz a imortalidade?” Quando
ela leu isso, ela começou a chorar e pensou:
- Meu sobrinho estava certo, Deus é a Vida do
Orlando e Deus não quer que ele morra. Continuou lendo, e
depois me esqueceu.
À tarde estavam meus avós maternos no
quarto e meus pais, estavam orando, quando eu recobrei a
consciência e pedi:
- Mamãe eu quero comer, estou com fome.
Ficaram muito contentes e foram buscar a
comida. Dormi de novo e acordei mais tarde e pedi mais
comida. Dormi a noite toda, e quando Otto chegou na 2a feira de
manhã, eu estava brincando, em frente de nossa casa.
A cura foi completa e permanente. Cada
ano eu tinha menos faltas à escola, até que aos quinze
anos não faltei nenhum dia de aula o ano todo. Fiz uma
retrospectiva e dos quinze aos quarenta anos eu perdi em torno de meio
dia de trabalho, em vinte e cinco anos, por estar na cama com gripe.
Depois desta cura, minha mãe abriu o
armário da cozinha e viu que ainda tinha muitos frascos de
remédios. Decidiu, que não ajudavam a não
ficar doente, e não ajudavam a recuperar a saúde,
portanto, ela iria confiar em Deus de modo total. Separou todos
os frascos ainda fechados e colocou numa bacia pequena e pediu que eu
os levasse até a vizinha que tinham um salão de baile,
Familia Faldin Derr. Quando entreguei a bacia com os frascos a vizinha disse:
– Mas e vocês, que vai acontecer
com vocês sem remédios? Eu respondi: – Nós vamos confiar em Deus.
Enquanto eu fui na vizinha minha mãe
pegou todos os frascos já abertos e os levou numa outra bacia
para o córrego onde lavava a roupa. A água passava
sobre uma rocha que se estendia para dentro do córrego e ela
jogou os vidros nessa pedra de modo que se rompessem e logo após
a água formava um pequeno redemoinho, lento, onde tinha sempre
uns peixinhos. Ela ficou olhando o remoinho e como a água
ficou colorida por causa dos remédios, Os peixinhos
desapareceram, e ela ficou olhando até que a água
clareasse novamente. E pensou:
- Agora nos colocamos totalmente nas mãos de
Deus e Seu cuidado.
Muitas famílias tiveram curas em nossa
área. Eu não lembro o nome delas nem quais as
curas, mas ao perguntar um dia ao Otto, na década de 50 se ele
lembrava de alguma cura. Ele disse que muitas pessoas foram
curadas, e que lembra de uma, em particular, em que ele estava na
carroça com um colono, a junta de bois a estava puxando,quando a
carroça passou por um buraco ou sobre uma pedra e deu um
solavanco forte e o filho pequeno caiu para fora e a roda de
trás passou por sobre o menino. Ele me contou, que parecia
que o menino tivesse morto. Mas ele e os pais continuaram em
oração até que o menino deu sinais de
vida. E ele ficou mais alguns dias com a família
até que o menino ficasse completamente curado.
Capítulo IX
A
DISPOSIÇÃO DE CONFIAR NA CIÊNCIA CRISTÃ
E NA CURA CRISTÃ GEROU POLÊMICAS
Todo o trabalho de cura, e adesão de muitas
famílias, tanto em Panambi, como na área rural onde nos
morávamos, trazia preocupações serias para pessoas
e instituições de Panambi. O pastor luterano estava
perdendo membros, pois meus avós, na casa de quem ele fazia um
culto por mês, agora fazia culto da Ciência Cristã
todas as semanas.
O Pastor Batista via seus membros estudando a
Ciência Cristã, o cervejeiro via suas vendas diminuirem, o
farmacêutico também, o médico estava com um
hospital com poucos pacientes, e os que ele não conseguia ajudar
ou curar, iam ao casal Schmidt e eram curados. Como o caso de um
soldado da Brigada Militar que era encarregado da segurança de
Panambi e adjacências. Um dia quando estava presente num
baile no interior, houve uma briga e, ao tentar apartar alguém
lhe deu um tiro na barriga. O médico contou mais de 30
furos de chumbo. E disse para o paciente:
- Eu posso cuidar de alguns dos ferimentos,
mas não de todos, eles vão infeccionar e você vai
morrer. Não tem nada que eu possa fazer. Levaram ele aos Schmidts e ele foi curado.
Começaram uma campanha para desacreditar e
infamar o Sr. Schmidt, que ficou cada vez mais ameaçadora,
até que este soldado falou para ele:
– Sr. Schmidt, sou grato por minha cura, e sei
quanto o senhor e Dna. Helene faz de bem por este povo. Mas
eles não querem vocês aqui. Tenho medo que com
o ódio em que estão, que um dia quando estiver de
serviço, no interior , ponham fogo à sua casa.
Porque não se muda para outra cidade?
Depois de orar, resolveram mudar. Otto foi na
frente, e parou em Santa Maria, onde ficou no Hotel Farol, pertencente
à família Meinhard, sogros do Plínio
Tochetto. Elda Tochetto, esposa do Plínio, teria um
problema num dedo e foi curada pelo Otto, e depois chegou a tocar
piano. E ele foi convidado a ficar no hotel quanto tempo
quizesse.
No hotel ele recebia os pacientes e foi curando
pessoas. Entre as pessoas que o procuraram havia uma família de
Agudo, localidade que ficava próxima a Sta. Maria. Depois
de algum tempo, não sei quanto, ele seguiu viajem para Porto
Alegre, onde passou a residir.
Um dia em que foi visitá-los, encontrou na
balsa o pastor que estava fumando. Enquanto atravessavam, Otto
perguntou a ele:
– O pastor sempre fuma? – Sim. Se eu não estiver fumando
não consigo preparar o sermão de domingo.
Otto fez brincadeira com ele de que ele estava
escravo do vício, e que seus sermões não podiam
estar ungidos pelo Espírito Santo. O pastor ficou zangado
e parecia que iria usar o relho que tinha para dar uma relhada no Otto,
mas em vez disso deu no cavalo que subiu a barranca do rio em galope.
Capítulo X
UM
JORNALÍSTA SIMULA UMA DOR DE ESTOMAGO PARA COMPROMETER OTTO
Naquela semana, em Santa Maria, veio um
jornalista visitar Otto e se
queixou de ter dor de barriga. Otto orou com ele, leu a
Lição Bíblica, como sempre fazia com cada pessoa
que vinha pedir ajuda.
Na verdade o jornalista fingiu que tinha uma
dor na área abdominal. Otto acreditou nele e não
havia conseguido perceber que o jornalísta estivera
mentindo. E quais eram as reais intenções do mesmo. No dia seguinte, este
jornalísta publicou no jornal local, que havia um homem, no
hotel Farol, que dizia que curava, e fez uma denúncia
inverídica de que tratava-se de charlatanismo para pegar o
dinheiro dos incautos. Pelo relato, o leitor poderá
deduzir quem usou de mentira neste episódio.
Numa igreja local, o pastor,
mencionado acima, também passou a
atacar Otto e aos ensinamentos da Ciência Cristã.
Capítulo XI
A
CHEGADA DO CASAL SCHIMDT À CAPITAL DOS GAÚCHOS
Ao chegar à capital do Estado do Rio Grande
do Sul, em 1936, soube que um grupo pequeno de pessoas que se reuniam
uma vez por mês. Lembro do Sr. Lorgus. Um outro
senhor que trabalhava num hotel no centro, onde faziam as
reuniões. O Sr. Lorgus, era distribuidor de
revistas, e depois mais tarde ele se identificou com a Unity. Foi
ele que teve durante mais tempo contato com os Cientistas
Cristãos.
Otto e Helene participavam das
reuniões, e, durante algum tempo, ela foi secretária
deste grupo. Mas ela percebeu que não queriam saber
nada do que estava no Manual, e que seus encontros eram mais sociais,
do que aumentar sua espiritualidade científica
cristã. Por isso, o casal Schmidt se retirou.
Continuaram seu trabalho de cura, e
encontraram uma senhora que trabalhava com bordados e passaram a
ajudá-la fazendo desenhos e perfurando matrizes para seus
trabalhos. Era a Sra. Von Klaisenberg.
Meus pais, em Panambi, sem a presença
do casal Schmidt, ficaram inquietos e começaram a buscar
outra atividade, ou mesmo continuar com o cortume, mas em outro
lugar. Meu pai viajou por vários lugares, pela costa
do Rio Uruguai, inclusive no lado da Argentina buscando um lugar que
tivesse bastante água e energia para instalar o seu curtume e a
selaria. Mas não achou. Meu pai escreveu para o casal Schmidt que
estavam buscando uma atividade nova e que desejavam mudar-se de
Panambi. Receberam um convite do casal Schmidt para virem a Porto
Alegre, e acabaram comprando esse negócio que a Sra. Von
Klaisenberg estava vendendo. Começaram a vender suas
coisas no interior e chegamos em Porto Alegre em outubro de 1938.
Chegamos duas semanas antes da data marcada, e a senhora já
estava com tudo empacotado, para levar consigo, tudo o que havia
vendido para meus pais. Deus fez com que chegássemos mais
cedo e assim fomos protegidos do prejuízo. Ela foi
embora, levando os seus oito cachorros, e seus pertences
pessoais, Mas meus pais não sabia como trabalhar com este
material e ela havia se comprometido a ensiná-los.
Uma inquilina e o casal Schmidt
ajudaram aos meus pais a aprender esta nova atividade. Aprendemos
a falar o português, e tivemos a oportunidade de frequentarmos
boas escolas. No devido tempo, meu irmão se formou em
Engenharia Civil, e eu em Ciências Econômicas. Assim,
o sonho e oração de nossa mãe se realizou, pois
naquele barranco do rio Ijuízinho ela sentiu que deveria viver
para cuidar de mim. E que seus filhos tivessem a oportunidade de
terem um bom estudo.
Durante os anos da Segunda Guerra
Mundial, realizavam-se cultos na casa da filha da frau Rhyman, uma
parteira suiça, que estudava a Ciência
Cristã. A casa ficava na Rua Carlos von Koseritz, e os
Schmidts ocupava 2 salas da frente da casa, de um quarto e uma
cozinha.. A Frau Schmidt era Primeira Leitora e o Sr. Schmidt era
o Segundo Leitor, e tocava o violino. Durante estes anos
difíceis em que foi proibida a língua alemã, os
cultos eram realizados em alemão, e a congregação
consistia do casal Schmidt, meu pai e minha mãe, meu
irmão e eu, e com alguma regularidade vinham mais uma ou duas
pessoas.
Por volta de 1943 mudaram-se para o
bairro de Tristeza, na margem do Rio Guaíba. E depois se mudaram
para outra casa algumas ruas acima, neste mesmo bairro. Eles
ocupavam toda a parte de baixo de um sobrado. E ali eram
conduzidos os cultos todos os domingos, e pelo trabalho de cura se
encontraram vários jovens, que se tornaram bons trabalhadores na
Igreja.
Às quintas-ferias começamos a
fazer uma reunião para a leitura da Lição
Bíblica em alemão e depois também em
português, pois a Lição Bíblica comecava a
ser traduzida e impressa e enviada aos assinantes, trabalho feito pelos
membros da Igreja do Rio de Janeiro. Essas reuniões eram
realizadas em casa da Sra. Mentz, na Rua Cristóvam Colombo, em
frente à fábrica de cerveja Boppe. Duas de suas filhas
participavam ativamente. O número de freqüentadores
cresceu.
Aqui também, um Domingo, bateram
à porta e a Frau Mentz ao abrir a porta deparou com sua vizinha
Otavia Bopp. E lhe perguntou à queima roupa:
– O que a senhora quer aqui? – Bem eu soube que aqui faziam cultos e queria
saber se eu posso ser convidada para assistir? – Sim, pode. Alguns anos mais tarde, a senhora Bopp,
após o culto de Ação de Graças doou uma
soma considerável ao grupo para a construção de
uma Igreja da Ciência Cristã.
Capítulo XII
O
CASAL SCHMIDT FAZEM O CURSO PRIMÁRIO DE
CIÊNCIA CRISTÃ
Interessante ainda é que o casal
Schmidt se interessou em fazer o Curso de Ciência Cristã,
e fizeram contato com um professor em Berlim, o Sr. Friedrich Preller,
CSB, membro de Terceira Igreja, de Berlim. ( O filho Arno Preller,
é professor da Ciência Cristã, no Colorado, EUA, e
o neto esteve no curso Normal de 2006. Scott Preller é professor em
Boston, MA)
Mas para poderem viajar, eles não
tinham dinheiro suficiente para a viajem, por isso, todos os
freqüentadores, pessoas curadas por suas orações,
começaram a recolher dinheiro para dar ao casal Schmidt, para
ajudar no pagamento de suas passagens e da taxa do Curso. Deve
ter sido 1948 ou 49 quando viajaram para Berlim. Helene conseguiu
rever sua irmã que ainda era viva. Logo após o seu
regresso Helene se tornou a primeira praticista registrada do Rio
Grande do Sul.
Meus pais construíram em 1949 um
prédio de 3 andares na Av. São Pedro, e meu pai planejou
uma maneira de que a sala de refeições e a sala de
visitas pudessem ser unidas, as duas salas estavam separadas por
uma porta que podia ser empurrada para dentro da parede. E nestas
duas salas foram realizados os cultos em alemão e
português, até mudar para o prédio próprio
em 1958, e no mesmo ano foi reconhecida como Sociedade de Ciência
Cristã, Porto Alegre. Naquele mesmo ano, foi realizada a
primeira conferência em Porto Alegre, no salão do Belas
Artes, e Friedrich Preller era o conferencista, falando em
alemão, e foi lida uma tradução para o
português.
Otto gostava de viajar para visitar
pessoas e famílias que pediam ajuda pela oração,
ou faziam a leitura da Lição Bíblica. Quando
morava em Panambi, viajava no lombo de mula, fazendo a sua gira.
Quando morava em Porto Alegre, viajava de ônibus para Agudo,
Candelaria, e comunidades vizinhas, e para comunidades mais
próximas a Porto Alegre, como Campo Bom, Taquara, Marau
etc. Também viajava para Santa Catarina onde visitava
comunidades no oeste do Estado.
Depois meu pai, ao viajar a negócios
procurava fazer contatos com aqueles que Otto havia introduzido
à Ciência Cristã. Meu pai vendia
Ciência e Saúdes, livretes, Arautos, giz, marcadores, etc.
Depois que meu pai faleceu a minha
mãe, tomava o ônibus em Porto Alegre, no fim da tarde e
viajava para visitar pacientes, amigos e estudantes da Ciência
Cristã, por várias partes do Rio Grande do Sul, de Santa
Catarina, do oeste do Paraná, e até do Mato Grosso do Sul.
Não havia telefone, e por isso,
ela havia estabelecido que todas as terças e sextas feiras ela
estaria em casa para atender pacientes. Havia, por vezes
três ou mais pessoas esperando para serem atendidas pela
Praticista. Ela fez o Curso de Ciência Cristã com
Friedrich Preller, em 1959. Orlando fez o Curso em 1961,
com Ellen Watt, em Washington, DC, EUA, e meu pai fez o Curso em 1963,
com Otto Bertschi, Zurich, Suiça, e no mesmo ano Cristina Pauli
Trentini, minha primeira esposa, fez o Curso com Ellen Watt, nos EUA.
Capítulo XIII
O
CURSO PRIMÁRIO DE CIÊNCIA CRISTÃ NA
AMÉRICA LATINA E NO BRASIL
A partir de 1963 a Sra. Catherine
Anwandter, de Santiago, Chile, comecou a lecionar Ciência
Cristã, ela foi a primeira professora na América do Sul,
e vários membros de Porto Alegre, fizeram o Curso com ela.
Depois foi Irene Holland, ela mais tarde casou-se com Grieco, se tornou
a Segunda professora de Ciência Cristã da America Latina,
e muitos do Brasil foram fazer o Curso em Buenos Aires.
A partir de 1980 foi oferecido o
curso de Ciência Cristã, em língua portuguesa, em
São Paulo, pelo autor destas reminiscências
históricas. A partir de 2003 o Brasil passa a ter mais uma
professora, Alessandra Colombini. Também Heloisa
Rivas, que foi a primeira brasileira a ser Presidente de A Igreja
Mãe, é uma Professora de Ciência
Cristã, mas ministra suas classes em Inglês e somente nos
Estados Unidos.
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